Autora: Ana Margarida Passos, Professora Catedrática do Departamento de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa
Nos últimos anos, assistimos a um interesse crescente no estudo das equipas. Este interesse deve-se, em parte, ao reconhecimento que as equipas, mais que os colaboradores isoladamente, conseguem ser criativas e lidar de forma mais eficaz com a complexidade e os desafios do contexto atual de trabalho.
Contudo, tal como Richard Hackman afirma numa entrevista à Harvard Business Review em 2009, “Eu não tenho qualquer dúvida de que as equipas podem gerar magia, mas… não contem com isso. A investigação tem vindo a mostrar de forma consistente que as equipas tendem a ficar aquém do seu potencial, independentemente dos recursos que têm disponíveis” para a realização do seu trabalho.
O que torna, então, possível as equipas de elevado desempenho? Apesar da literatura ter vindo a apontar um conjunto relativamente alargado de processos e estados emergentes de natureza cognitiva, afetiva e motivacional, seguimos a sugestão de Salas et al. (2006) e de O’Neil e Salas (2018) e identificámos os quatro principais drivers das equipas de elevado desempenho:
- Aprendizagem e adaptação;
- Cognições partilhadas (por exemplo, modelos mentais partilhados);
- Liderança da equipa;
- Estados afetivos da equipa (por exemplo, segurança psicológica).
Aprendizagem e adaptação são dois processos fundamentais das equipas de elevado desempenho, sendo que a aprendizagem é muitas vezes entendida como um preditor da adaptação. A aprendizagem em equipa é um processo em que os membros de uma equipa se envolvem ativamente na aquisição, partilha e aplicação coletiva de conhecimentos para melhorar o desempenho e atingir objetivos comuns.
Os membros da equipa fazem perguntas, procuram feedback, refletem e discutem resultados, assim como erros e resultados (in)esperados. É muitas vezes com base nesta reflexão que as equipas reconhecem mudanças relevantes no seu ambiente e são capazes de lidar eficazmente com situação inesperadas, ou seja, são capazes de se adaptarem. Este ciclo de aprendizagem e adaptação é fundamental.
As equipas de elevado desempenho são capazes de alterar a forma como trabalham e como tomam decisões, simplesmente para continuarem a ter níveis elevados de desempenho. É preciso adaptarem-se, alterarem o que fazem e como fazem, para continuarem a ter elevados níveis de desempenho.
As cognições partilhadas da equipa referem-se ao conhecimento coletivo e ao entendimento partilhado entre os membros de uma equipa, quer sobre as tarefas que têm de realizar, quer sobre a forma como devem funcionar enquanto equipa. Um dos construtos mais estudados neste âmbito é o de modelos mentais partilhados (Santos, Passos, Uitdewilligen, 2016).
De acordo com a literatura, a cognição partilhada é o mecanismo que permite às equipas coordenarem as suas atividades sem necessidade de recorrer a uma comunicação verbal explícita, de interpretar a realidade de forma semelhante, tomar decisões e desenvolver ações de forma coordenada. As equipas com modelos mentais partilhados sabem o que devem fazer e como devem fazer.
A liderança de equipas é fundamental nas equipas de elevado desempenho e distingue-se pelo facto de o líder se focar na equipa como um todo e não nos membros individualmente. De acordo com a abordagem funcional, a mais utilizada no contexto das equipas, a liderança diz respeito à resolução de problemas sociais, à identificação do que pode impedir a equipa de atingir os seus objetivos e à gestão, ao planeamento e implementação de soluções apropriadas dentro do domínio social complexo onde estão inseridos. O líder de equipa é capaz de influenciar os processos e estados cognitivos, afetivos e motivacionais das equipas.
Um dos principais estados afetivos que caracterizam as equipas de elevado desempenho é a existência de segurança psicológica, ou seja, a existência de uma crença partilhada entre os membros de que a equipa é segura para assumir riscos interpessoais.
A segurança psicológica implica confiança, mas inclui, igualmente, um ambiente de equipa onde os membros individuais se sentem à vontade para serem eles próprios e expressarem as suas opiniões e pontos de vista. As equipas com elevada segurança psicológica olham para os insucessos e para os erros como oportunidades de aprendizagem e procuram ativamente alternativas para melhorar o seu desempenho.
Criar e manter uma equipa de elevado desempenho requer um esforço contínuo, uma liderança eficaz e um ambiente seguro. As equipas de sucesso não são estáticas; aprendem, adaptam-se e procuram continuamente a excelência.
REFERÊNCIAS
O’Neill, T. A., & Salas, E. (2018). Creating high performance teamwork in organizations. Human Resource Management Review, 28(4), 325–331.
https://doi.org/10.1016/j.hrmr.2017.09.001
Salas, E., Rosen, M. A., Burke, C. S., Goodwin, G. F., & Fiore, S. M. (2006). The making of a dream team: When expert teams do best. In K. A. Ericsson, N. Charness, P. J. Feltovich, & R. R. Hoffman (Eds.), The Cambridge handbook of expertise and expert performance (pp. 439–453). Cambridge University Press.
https://doi.org/10.1017/CBO9780511816796.025
Santos, C. M., Passos, A. M., & Uitdewilligen, S. (2016). When shared cognition leads to closed minds: Temporal mental models, team learning, adaptation and performance. European Management Journal, 34(2), 258-268.
https://doi:10.1016/j.emj.2015.11.006

