Opinião: “Sempre se fez assim”, um paradoxo para o peixe de Darwin

Opinião: “Sempre se fez assim”, um paradoxo para o peixe de Darwin

Autora: Isabel Borges, Country Manager da Multitempo by Job&Talent

Há formas de estar nas organizações que impedem o crescimento e a transformação. A respeito disso, uma das mais emblemáticas é: “Mas sempre se fez assim”. Esta forma de sentir e percecionar a realidade, enraizada em muitas equipas e organizações, é um verdadeiro “soco no estômago” da inovação.

É verdade que as empresas precisam de processos e planeamento. São uma âncora da gestão. Mas, para que não seja uma âncora que nos prenda ao mesmo lugar, por procurarmos de forma exacerbada a segurança, as empresas enfrentam o desafio de lidar com a volatilidade e com a natureza instável e imprevisível do contexto político, macroeconómico e social que dão “mundo” às organizações.

Além de que, as circunstâncias que exigem adaptação podem, de forma antagónica, desencadear o receio, levando pessoas e organizações a optarem por padrões familiares. Sabemos que o “conhecido” nos traz conforto. Quando confrontados pela necessidade de aprender e mudar, acabamos por nos agarrar à segurança do que já conhecemos, o que pode sufocar a inovação e crescimento.

Quando confrontados pela necessidade de aprender e mudar, acabamos por nos agarrar à segurança do que já conhecemos, o que pode sufocar a inovação e crescimento.

O ser humano necessita de segurança e essa é a sua resposta natural. Muitas das vezes a mudança e/ou aprendizagem só acontece perante a pressão do momento e do “fazer acontecer”. E a adaptabilidade tem, nestes momentos, de ser algo já apreendido e integrado. Faz parte da responsabilidade organizacional e da liderança garantirem que as equipas não se agarram teimosamente ao status quo.

Antes, alinham estratégias para a criação de condições em que a “adaptabilidade” seja uma competência desenvolvida e valorizada, numa estratégia transversal e top-down. Crescer no atual contexto passa por ser ágil, aprender com os erros e crescer com a experiência.

Já vão longe as primeiras linhas do evolucionismo. Mas, dentre as coisas que se mantêm atuais do século XIX, a frase de Darwin é um excelente exemplo: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças.”

Esta mentalidade ágil permite uma resposta mais eficaz às mudanças do mercado e às necessidades dos stakeholders. A gestão de equipas e de projetos não podem ser percecionados como um cronograma estático, rígido e inflexível. À luz dos últimos anos, arriscar-me-ia a dizer que o planeamento está sobrevalorizado. Mas, digo antes que, em vez de ver o planeamento e a agilidade como opostos, devemos integrá-los numa abordagem holística ao desenvolvimento organizacional.

Em vez de ver o planeamento e a agilidade como opostos, devemos integrá-los numa abordagem holística ao desenvolvimento organizacional.

Além disso, é crucial considerar o equilíbrio entre manter elevados padrões de qualidade e a aceitação do erro como parte do processo de desenvolvimento. A procura pela excelência é fundamental, mas é essencial reconhecer que o caminho para alcançar esses padrões pode envolver tentativa e erro. No fundo, dar espaço, tempo e “caminho” à aprendizagem.

Artigo publicado na edição 152 da RHmagazine, referente aos meses de maio e junho de 2024


Siga-nos no LinkedIn, Facebook, Instagram e Twitter e assine aqui a nossa newsletter para receber as mais recentes notícias do setor a cada semana!

Back To Top