Crónica: Qual o estádio de desenvolvimento da sua equipa? – por Catarina João Morgado

Crónica: Qual o estádio de desenvolvimento da sua equipa? – por Catarina João Morgado

Na semana passada, tive oportunidade de participar como formadora num programa de formação interna, em que trabalhámos as “power skills” das nossas pessoas através de diferentes ferramentas, uma das quais a formação de equipas para a superação de desafios. Esta formação fez-me voltar ao tema dos estádios de desenvolvimento das equipas, tema tão pertinente mas sobre o qual não parava para pensar há uns tempos.

Desenvolvido em 1965 por Bruce Tuckman, este modelo foi pensado para acelerar a eficácia de novas equipas. Os quatro estádios são:

  • Forming: Quando as pessoas estão no processo de se conhecer umas às outras e os seus papéis;
  • Storming: Estádio em que conflito e fricções podem surgir quando as características verdadeiras uns dos outros começam a vir ao de cima e a quebrar barreiras;
  • Norming: Quando as pessoas começam a resolver as suas diferenças, a perceber as forças e fraquezas uns dos outros e a respeitar a autoridade do líder;
  • Performing: Quando a equipa se encontra no flow e a desempenhar todo o seu potencial.

A questão é que, como sabemos, não se trata de um modelo unidirecional. As equipas oscilam entre diferentes estádios, dão passos atrás, passam por momentos de maior afastamento, diminuindo a coesão, recebem novos desafios que levam à redistribuição de papéis, bem como à entrada ou saída de membros, entre outros. Estas são circunstâncias que requerem atenção e reorganização.

Assim, depois de conseguir colocar a equipa em Performing, o grande desafio é mantê-la lá. Aliás, como acontece em todas as relações da nossa vida, também as pessoais e familiares vão amadurecendo (assim esperamos) com as passagens pelos diferentes estádios.

Conjugando este modelo com o conceito de flow, creio que encontramos grandes pistas para a performance que gostaríamos de ver nas nossas equipas: descrito pelo psicólogo húngaro Mihaly Csikszentmihalyi, no estado de flow estamos tão envolvidos numa atividade que nem damos pelo tempo passar e ficamos totalmente absorvidos pela mesma.

O que é pertinente destacar aqui?

Estudos conduzidos por investigadores da St. Bonaventure University revelaram que o sentido de flow pode trazer ainda mais entusiasmo desenvolvido em equipa, do que quando desenvolvido de modo isolado. Assim, parece-me um bom contributo aliar estes dois conceitos de flow e performing, através de iniciativas como:

  1. Identificar as tarefas que cada membro da equipa mais gosta de fazer: Pode ser bastante complexo, mas acho importante considerarmos a nossa equipa como um puzzle em que as peças têm que encaixar e existe sempre alguma margem para cada um desenvolver determinada componente que lhe possa ser mais interessante;
  2. Identificar as horas do dia quem que conseguimos maior foco: Conhecer a nossa equipa passa, também, por perceber como funciona cada um para melhor alocar a sua distribuição.
  3. Agendar momentos de recuperação: Ainda na última crónica referi a importância destes momentos para nos revitalizarmos e cabe, também, à liderança perceber se as pessoas estão a ter em conta esta necessidade para promover a sua saúde mental.

Ao trazer estes temas para discussão no seio das equipas, podemos contribuir para a aprendizagem de todos. O foco consiste em desenvolver no grupo o mindset de crescimento e evolução enquanto equipa, fomentando discussões em grupo intencionais sobre estes temas: a ideia é conseguirmos afetar positivamente a experiência no trabalho e acelerar o trabalho em equipa, criando um compromisso partilhado com hábitos que ajudam as equipas a trabalhar melhor em conjunto.

Por fim, colocando estes temas nos objetivos das equipas, podemos melhorar formas de trabalhar e potenciar a consciência destes temas, proporcionando mais resultados com igual ou maior bem-estar. Qual é o estado de desenvolvimento da sua equipa? Quando foi a última vez que esteve em flow?


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